A Europa 2030

A Europa 2030

A União Europeia enfrenta um conjunto de desafios para a próxima década. Os Estados-membros definiram as suas estratégias e abordagens para o período 2020-2030 e é com base nessas diretrizes que cada país define os seus objetivos e eixos prioritários – como no caso português do Portugal 2030.

Quais então os pontos estratégicos definidos para o continente Europeu em 2030?

 

RENOVAR O MODELO ECONÓMICO E SOCIAL DA EUROPA

Um melhor padrão de vida, está intrinsecamente ligado à existência de uma economia sólida e competitiva face às grandes potências mundiais. Um mercado cada vez mais especializado, globalizado e com grandes mudanças tecnológicas acarreta mudanças quer para as empresas, quer para os trabalhadores com novas formas e estruturas laborais.

Estas mudanças em conjunto com uma intensificação do setor dos serviços, revolucionarão igualmente o mercado de trabalho, com o crescimento de determinadas profissões e a extinção de outras, passíveis de substituição por automação e desenvolvimento tecnológicos.

Neste contexto, a luta contra a exclusão social, a pobreza e a discriminação com base no sexo, serão outros objetivos onde os Estados-membros deverão aplicar recursos para o cumprimento da renovação do modelo económico e social europeu.

Estas medidas sociais e económicas devem ainda conduzir a um cada vez mais estável mercado único com igual acessibilidade para os cidadãos de qualquer dos Estados-membros, reforçando a estabilidade e convergência de todas as economias da união europeia.

Por fim, o último ponto da renovação do modelo económico e social da europa consiste na sustentabilidade ambiental. Novo ordenamento do território, ordenamento das cidades e redes de transportes públicos, transformação de hábitos de consumo, são alguns dos eixos de sustentabilidade ambiental presentes nos desafios para a Europa 2030.

 

O DESAFIO DEMOGRÁFICO

A conjugação do envelhecimento da população e da diminuição da mão-de-obra interna poderão ter consequências drásticas para a Europa. A possível sobrecarga dos sistemas de proteção social e de saúde, são alguns dos motivos para os desafios demográficos europeus. Por forma a colmatar esta falha demográfica, a União Europeia deverá fomentar os Estados-membros a implementarem medidas de estímulo à natalidade e de apoio à família. Apenas dessa forma será possível reduzir os efeitos de uma pirâmide tendencialmente invertida.

Mesmo com a adoção destas medidas, as previsões apontam para que a União europeia fique dependente da imigração para manter a sua força laboral. Dessa forma, deverão existir medidas proativas e de captação de imigração altamente qualificada e retenção de talentos no continente europeu. Por outro lado, a por si só fragilizada demografia do continente está confrontada com vagas de migração que poderão vir a tornar o problema da inversão da pirâmide mais difícil de superar. As adoções de medidas de controlo da imigração ilegal serão intensificadas por forma a que se reduza o efeito de atração para este tipo de imigração.

 

 

SEGURANÇA ENERGÉTICA E ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

A busca por uma produção energética sustentável e a redução da dependência energética da Europa serão as duas grandes bandeiras das políticas energéticas para 2030. Fontes de energia como as eólicas, solares, entre outras fontes naturais, serão cada vez mais utilizadas durante a década, sendo expectável que representam a maioria da energia produzida e consumida em todo a União Europeia em 2030.

A revolução do sector dos transportes é outro dos eixos prioritários, sendo necessária uma cada vez maior conversão de veículos de combustão em veículos movidos a fontes de energia renováveis.

A redução da dependência energética da União europeia será importante para a implementação destas medidas. Se por um lado a UE importa cerca de 90% do petróleo, 80% do gás e 50% do carvão, com a adoção e conversão para a utilização de fontes de energia renováveis, a União Europeia terá capacidade para produzir a maioria da energia que os seus Estados-membros necessitam.

Todas estas medidas deverão contribuir para os compromissos de luta contra as alterações climáticas que a União Europeia e os seus Estados-membros se comprometeram.

 

SEGURANÇA INTERNA E EXTERNA

Tudo tem os seus prós e contras, e no caso da globalização um dos inconvenientes da mesma prende-se com o aumento da sensação de exposição e vulnerabilidade dos cidadãos. As situações de terrorismo em países europeus, a dificuldade em controlar e legislar os fluxos de refugiados, as situações de extremismo e fanatismo, contribuem para o aumento da sensação de instabilidade pelos residentes dos Estados-membros.

Durante décadas a cooperação entre os diversos membros da união europeia encontrava-se dificultada pela resistência e receio de certos países em partilharem as suas informações e exporem as suas medidas de segurança perante os outros estados. Com grandes avanços de cooperação nos últimos anos, estaremos a chegar perto de uma situação de cooperação total para a defesa do território da união com total participação de todos os Estados-membros.

Segundo os documentos de objetivos prioritários para a Europa 2030, destacam-se os seguintes no que respeita à segurança:

  • Melhorar os sistemas de intercâmbio de informações no que diz respeito ao financiamento de redes, às rotas de tráfico de armas de destruição maciça, à recuperação após atentados terroristas e às medidas preventivas a longo prazo;
  • Criar uma equipa civil europeia de reserva composta por unidades com formação especializada, prontas a ser destacadas a curto prazo, concebidas a exemplo da componente militar;
  • Desenvolver um sistema de gestão das fronteiras externas mais integrado, reforçando a Frontex por meio de um organismo europeu composto por pessoal especializado disponível para prestar apoio aos Estados-Membros;
  • Limar as arestas do Sistema Europeu de Asilo, em particular normalizando a definição de “refugiado”.

Com a implementação de medidas para fazer face a estes e outros objetivos, pretende-se criar uma visão europeia de defesa coletiva. Podendo a União Europeia criar medidas estáveis e de longo prazo para a proteção e defesa do território comum.

 

A EUROPA NO MUNDO

A união europeia é hoje vista como um eixo continental e um ponto de referência atual, visto com segurança e estabilidade pelo exterior. É a “tranquilidade” da Europa que lhe pode trazer trunfos nos próximos tempos, mantendo boas relações com os Estados Unidos da América e com as potências asiáticas, a UE maximiza as suas valências e pode retirar o melhor de cada parceiro para o seu desenvolvimento económico.

No que respeita à integração, a União Europeia continua aberta a potenciais novos membros europeus, avaliando cada candidatura individualmente e verificando o cumprimento dos critérios de adesão.

Para além das relações com países europeus não pertencentes à União Europeia e às relações com as grandes potências mundiais, outros dos parceiros de importância para os Estados-membros são os geograficamente próximos, com os quais os Estados-membros pretendem manter uma “política de vizinhança”, entre esses uma especial incidência para os países do médio oriente e norte de Africa com quem os países do Sul partilham o Mar Mediterrâneo.

 

Fontes: Serviço de Publicações da União Europeia